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Ensaio Aberto - 19 anos

A Ensaio Aberto fez 19 anos em 2011. O núcleo de profissionais que se reuniu em 92 e continua unido junto com outros artistas que se agregaram ao grupo em torno do projeto comum de encontrar uma linguagem dialética para a cena, onde as contradições do mundo contemporâneo estejam explicitadas, não estão reunidos apenas para produzir espetáculos, mas sim, para buscar uma nova relação palco/plateia, base e fundamento do grupo, e buscar uma refuncionalização da arte.

A companhia foi fundada para repensar a relação teatro e sociedade, tentando resgatar para o teatro espectadores que se desinteressaram pelo fazer teatral. O resgate desses espectadores e a aproximação com os movimentos sociais organizados nortearam nosso caminho. A aproximação com as universidades e com os intelectuais aconteceu principalmente a partir da organização de ciclos de conferências e debates produzidos concomitantes aos espetáculos. Participaram destes ciclos intelectuais como José Américo Motta Peçanha, Leonardo Boff, Leandro Konder, Emir Sader, José Miguel Wisnick, Joel Birman, Margarida Souza Neves, Joel Rufino dos Santos entre muitos outros.

República dos Excluídos; Quem Gritará por Nós; Tempo de Partido, Tempo de Homens Partidos; Mais Um Ano com Betinho foram alguns dos ciclos organizados pela companhia. Em 19 anos criamos 18 espetáculos e realizamos turnês nacionais e internacionais com várias das nossas criações.

Cerca de 40% do nosso público é constituído por espectadores diretamente ligados aos movimentos sociais organizados. Nossas platéias são heterogêneas, como devem ser as platéias de um espetáculo. Conseguimos romper a ditadura de espetáculos voltados apenas para uma pequena parte da nossa sociedade.

Na nossa forma de ver o mundo, uma das principais diferenças entre o fazer teatral de uma companhia ou grupo e o mercado é a importância que a formação tem para os coletivos de trabalho continuado. No trabalho cotidiano da Ensaio Aberto um dos pilares é a necessidade da socialização do conhecimento. Por isso, toda a nossa formação é feita indistintamente entre todos os trabalhadores: atores, técnicos, criadores e representantes do público - o quarto criador, pois todos têm que se dar conta tanto do desenvolvimento de uma cena crítica quanto do desenvolvimento pessoal dos integrantes do grupo e da coletividade, criando um horizonte para a desalienação das práticas culturais. Um trabalho deste porte não tem condições de se desenvolver no curto prazo, nem com as práticas capitalistas de administração de pessoal, segundo as quais quanto maior a rotatividade de mão-de-obra, maior a economia em salários.

Ensaio Aberto
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