Logo

Porto Aberto: Um armazem da utopia

Porto - do latim portu - substantivo masculino, lugar que dá passagem, lugar que, por oferecer às embarcações certo abrigo, lhes permite fundear ou amarrar e estabelecer contatos e comunicação, lugar de descanso e de refúgio. As experiências (pesquisa, criação e compartilhamento) de uma companhia de teatro necessitam de um espaço autônomo, de um abrigo. A construção do nosso teatro num Armazém do Cais do Porto é coerente comahistóriada EnsaioAberto.

Desde o seu primeiro espetáculo nossa companhia estabeleceu um diálogo crítico com a cidade, com os prédios históricos e com o próprio teatro. Lançar um novo olhar sobre o passado, revendo a história das edificações, como os homens as construíram, habitaram e trabalharam nelas. Romper com a arquitetura do teatro como lugar separado da cena e do público. Restituir o círculo original do teatro onde público e atores formam, juntos, uma assembléia reunida. Teatro como espaço de representação da Polis, como espaço da contradição dinâmica do real, como arena de lutas sociais. Teatro como lugar do público reunido, como espaço político e como local de atividade intrinsecamente política.

O Rio de Janeiro é uma das cidades mais bonitas do mundo, reconhecida por isso. Hoje, entretanto, não tem espaços capazes de absorver a diversidade da produção cultural e, muito menos, abrigar as manifestações mais ousadas da produção nacional e internacional. Nossa proposta consiste na criação de um teatro modelo, espaço referência voltado para a cidade e para fora dela. Um teatro que atenda não só às necessidades da Ensaio Aberto, mas também, de outras companhias brasileiras e internacionais, e que atenda, sobretudo, às necessidades do público.

modelo, espaço referência voltado para a cidade e para fora dela. Um teatro que atenda não só às necessidades da Ensaio Aberto, mas também, de outras companhias brasileiras e internacionais, e que atenda, sobretudo, às necessidades do público.

Nosso espaço será um Porto Aberto de pesquisa de linguagem, lugar de abrigo, descanso, refúgio, mas sobretudo um Armazém da Utopia, lugar de construção de cidadania onde homens e mulheres readquiram fôlego, estabeleçam novos laços; um porto que em vez de nos amarrar à terra nos ajude a navegar, a recobrar nossas forças, a encontrar um ao outro, para que possamos sobreviver e até vicejar em meio ao turbilhão.

A utopia de continuar fazendo teatro de grupo em plena "era da mercadoria", como chamou Brecht, exige a criação de uma rede solidária constituída por todos os teatrantes que acreditam que a arte coletiva continua sendo a melhor forma de fazer teatro. Essa rede tem se desenvolvido nos últimos anos e, cada vez mais, os grupos percebem a necessidade das turnês e da realização de oficinas fora dos seus estados de origem para poderem compartilhar suas linguagens e visões de mundo com outros coletivos irmãos e ampliarem seus contatos com outros públicos. É com o fio da solidariedade que se tecem novas redes que possibilitam novas formas de distribuição não só de espetáculos mas, sobretudo, de práticas transformadoras que tratem os espectadores como sujeitos capazes de escrever a sua própria história.

Armazem Porto Aberto
Armazem Porto Aberto
Armazem Porto Aberto
Ensaio Aberto